Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Ana Lúcia


Pois é, parece que o primeiro post do ano vai exclusivamente para ti. Muitos parabéns! Desde que nos conhecemos, a vida não te tem reservado momentos propriamente fáceis mas, ainda assim, estiveste sempre do meu lado. A tua presença e apoio constantes tem-me dado muita força e és uma daquelas pessoas que me obrigam a manter a sanidade mental. Ensinas-me todos os dias, com a tua enorme bondade e infinita capacidade de perdoar, o valor da vida com amizade. És sem qualquer dúvida uma das melhores pessoas que conheço e não há nada que não te confiasse. Lembro-me todos os dias, com muito carinho, de tudo aquilo por que já passamos: os muitos sorrisos e as necessárias lágrimas que vão alimentando a nossa amizade e que eu não trocava por nada.
Obrigado seres uma constante na minha vida e a tornares mais valiosa. Obrigado pelos tantos momentos que já passamos juntas. Obrigado por me ouvires sempre e por veres em mim o teu primeiro apoio. Obrigado pela amizade e carinho com que nunca me faltas. Obrigado por teres entrado devagarinho na minha vida e teres feito de mim tua amiga. Gosto muito de ti e estou sempre aqui, de dia e de noite, para o que precisares. Sei que posso falar em nome de pelo menos mais duas pessoas quando digo que aquilo que temos construído juntos é muito valioso e nunca seria possível sem ti.
Já tenho notado a importância que dás às pequeninas coisas. Que esta seja uma delas e que te mostre o bem que te quero e como és indispensável na minha vida. És absolutamente imprescindível e tens muito mais força do que aquilo que imaginas. Não deixes nunca que limitem aquilo de que és capaz. Vais ser muito feliz... está escrito nas estrelas.

Segunda-feira, Novembro 26, 2007

Milão

Uma vez em Milão percebi a existência de duas cidades no mesmo espaço e ao mesmo tempo. Primeiro, uma Milão cosmopolita, ambiciosa e sofisticada, das mais importantes capitais económicas do mundo, movendo-se a um ritmo alucinante. Mas, depois de nos habituarmos a toda esta euforia e olharmos com mais atenção podemos ver que uma outra cidade se esconde por trás da primeira. Desta vez, uma Milão cultural, cheia de pequenos tesouros, fruto do cruzamento de tantas histórias que foram deixando o seu legado. Por isso vos digo que Milão não é apenas uma cidade, talvez nem seja duas e sim várias, que se misturam e confundem, tendo como fio condutor uma história de mais de dois mil anos. Aí permanece o fascínio de Milão!
Para mim, Milão foi sem dúvida uma descoberta. Embora tenha sido com tristeza que notei que os italianos, ou pelo menos os milaneses, não são um povo muito hospitaleiro, Milão não perdeu o seu encanto. Uma vez em Milão preparem-se para verem pessoas das mais variadas nacionalidades e se no meio de uma das mais movimentadas ruas da cidade virem uma camioneta cheia das mais suculentas frutas não se admirem. Milão, e a Itália no geral, são assim: recheados de contrastes. No final de Montenapoleone, uma das ruas mais elitistas do país, não imaginam a minha surpresa quando me deparo com um quiosque (sim, um quiosque como os que nós temos de jornais) de flores, mesmo ao lado de lojas da Armani, da Prada, da Gucci e por aí fora. Outro dos contrastes advém do esforço cultural. Um concerto de piano no meio da rua, uma exposição fotográfica ao ar livre… tudo normal em Itália. Mesmo o espírito das pessoas é outro. Domingo de manhã ninguém fica na cama a dormir. Os habitantes da cidade passeiam-se pela baixa, fazem compras, sentam-se nos parques em piqueniques, a ler histórias às crianças ou a fazer jogging.
Quanto a visitas aconselho o Arco da Paz, um arco napoleónico; a Galeria Vittorio Emanuelle II, que nada tem a ver com as nossas galerias; o Castelo Sforzesco, relíquia renascentista de Milão; a Estação Central, de notar a arquitectura e a típica estrutura aberta europeia; o Convento Santa Maria delle Grazzie, onde se encontra uma das mais conhecidas pinturas da nossa cultura, “O Cenáculo” (A Última Ceia), de Leonardo Da Vinci; o Teatro alla Scala, uma das mais famosas casas de espectáculos do mundo; e claro o Duomo, que me deixou absolutamente sem palavras pela sua sumptuosidade e história, com 500 anos apenas na construção. Um dos aspectos que me deixou bem impressionada foi o zelo daquela gente no seu património cultural. Sempre com renovações e reconstruções, polindo até à exaustão os seus monumentos, fazendo de tudo para tirar deles o maior potencial. Não esqueçam, é claro, as pizas italianas, que merecem toda a fama que tem. Quanto ao local ideal para comer não se preocupem, porta sim, porta sim senhora há uma pizzeria. Mas, quando de visita a Milão, não se fiquem apenas pelos pontos turísticos, deixem-se levar pela envolvência da cidade e passeiem pelas ruas, e sobretudo pelas praças, à procura de pequenos nadas que juntos fazem um tudo.
Tive ainda a sorte de ter um excelente companheiro de viagem, que fala um italiano fluente e partilha comigo o mesmo interesse pela história e pela cultura: o meu pai. Ele, que vai a Milão todos os anos, viu agora a cidade de outra forma. Adorei a viagem, como se nota, mas não se fiem na minha descrição e, tendo oportunidade, não deixem de conhecer aquela que é a cidade mais europeia de Itália. Tenham ainda o cuidado, não só em Milão mas em qualquer outra parte, de só julgar o local na viagem de regresso. É que, na minha opinião, só sabemos se gostamos ou não de visitar determinado lugar na hora da despedida e mediante dois factores. Primeiro, se temos pena de ir embora e segundo, se queremos lá voltar. Eu não me importava mesmo nada de voltar a Milão.
Arriverdeci!

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Boa Noite, e Boa Sorte

Boa Noite, e Boa Sorte é, na minha opinião, um dos melhores filmes de todos os tempos. A sua história transporta-nos aos anos 50 e ao clima de terror imposto pela “caça às bruxas” levada a cabo pelo Senador Joseph McCarthy, que custou a liberdade a muitos inocentes. Mais particularmente é-nos dado a conhecer o combate verídico do jornalista Edward Murrow e da sua equipa, que não hesitam em revelar as atrocidades contra os direitos civis e de liberdades e garantias perpetradas por McCarthy em nome da segurança nacional. O risco foi grande mas, deu os seus frutos. A credibilidade do Senador é fortemente abalada, sendo este alvo de uma investigação por parte do Senado e, por fim, despojado de todo o seu poder. Ainda assim, Murrow e os seus companheiros passaram por tempos difíceis, em que muito tiveram que lutar para que as difamações a seu respeito e pressões sobre os patrocinadores por parte de McCarthy não silenciassem a voz da verdade.
O filme conta ainda com muitos outros trunfos além de uma história inspiradora. O desempenho do elenco, a banda sonora, a fotografia, a filmagem a preto e branco, o trabalho cénico e a utilização de imagens da época em muito contribuem para conferir maior veracidade a este brilhante trabalho cinematográfico. De destacar ainda a direcção e o argumento de Clooney que, tendo em Boa Noite, e Boa Sorte apenas a sua segunda produção, parece um autêntico veterano, aproveitando um episódio desastroso e verídico do passado para falar do presente.
Mas, não são apenas as excelentes características cinematográficas que fazem de Boa Noite, e Boa Sorte um filme obrigatório. É também a sua relevância actual, de paralelismo quase imediato, numa crítica atroz à administração Bush e à sua política de sacrifício dos direitos civis dos cidadãos consagrados constitucionalmente em prol da segurança nacional. Por ser um filme sobre um período histórico americano, esta pode ser uma história de pouco interesse àqueles que pensam não serem afectados pela realidade norte-americana. Não se deixem enganar. A influência das políticas nacionalistas dos Estados Unidos, que como sabemos tem uma forte preponderância na ONU, começaram a afectar todo o mundo com a guerra do Iraque. Para além desta crítica mordaz, mas simulada, há outra, muito mais notória, neste filme. O despertar da consciência dos cidadãos para o facto de a televisão, e permitam-me acrescentar o cinema, ser um importante meio de comunicação e educação. E assim termina o filme, dizendo-nos, ou lembrando-nos, que a televisão “pode ensinar, pode iluminar e sim, pode até inspirar (…) caso contrário, são apenas cabos e luzes dentro de uma caixa.” Boa Noite, e Boa Sorte é a prova disso.

Terça-feira, Novembro 06, 2007

Dunc in altum

Faz-te ao largo! Isto é algo que se aprende num Convívio Fraterno. Claro que se aprende muito mais. É algo inesquecível, que deixa marcas profundas e imutáveis. Em Eirol (onde se realizou o Convívio Fraterno 1046, que me tornou Conviva), eu aprendi que Deus não é um homem de barbas longas, que se senta numa cadeira lá bem alto no céu a olhar para o que os homens fazem cá em baixo. Eu aprendi que Deus vive dentro de mim e de todos aqueles que o deixarem entrar, que não me aponta o dedo quando erro, nem me castiga pelos meus pecados. Descobri um Deus que é única e exclusivamente Amor. E, se Deus é Amor e se eu o deixo viver dentro de mim, então eu sou instrumento desse Amor. Essa foi a minha derradeira descoberta em Eirol. Claro que quando lá entrei eu já sabia as pessoas que amava mas, lá, eu percebi que esse Amor vem de Deus e que deve ser espalhado e difundido. Eu amo e sou amada muito mais do que alguma vez pensei.
Ao meu pai, que é o meu ídolo, a minha maior referência e que me disse que se eu "amar aos outros como a mim mesma" terei a minha missão cumprida. À minha mãe, que tem a ternura no olhar, que me vê como sendo perfeita e conseguiu ocupar também o lugar de minha melhor amiga. À minha irmã, que às vezes, vindo do nada, com a inocência dos seus sete anos, me diz que gosta muito de mim. À minha avó, que sempre olha para mim como se eu soubesse tudo, quando ela sabe muito mais do que eu. Aos meus padrinhos, que estiveram sempre presentes e me tratam como uma filha. A toda a minha restante família, que ao longo dos anos, sempre me acompanhou. Ao grupo de jovens a que pertenço, que me colocou no caminho certo para me encontrar sempre comigo mesma e, mais importante, com Deus. Aos meus amigos, alguns deles recentes mas, ainda assim importantes, tantos deles presentes no encerramento, desempenhando continuamente o seu papel importantíssimo na minha vida sem nunca pedir nada em troca. Aos Convivas do C.F. 1046, a todos os coordenadores e equipa de apoio, indiscutivelmente, foi Deus que vos colocou na minha vida. A todos vocês eu amo.
Àqueles que não deixam Deus entrar no vosso coração e não sentem ou espalham o seu amor, são para vocês as minhas maiores preces. Rezo para que sintam o Amor de Deus e percebam o homem incrível que foi Jesus Cristo. Podia perfeitamente descrever-vos tudo aquilo que vivi desde que cheguei a Eirol no passado dia 31 até ao momento que cheguei a casa, na madrugada do dia 4. No fim do que seria uma exaustiva descrição, vocês dir-me-iam "e tu estás assim por isso?". Um Convívio Fraterno não se diz, não se explica... sente-se. Se quiserem saber o que é um Convívio Fraterno e, mais importante, aquilo que ele vos ensina, que é único e variável de pessoa para pessoa, bem, parece-me que só há uma forma...
"Dunc in altum" (Faz-te ao largo)!
Aceitem o maior desafio que Deus vos coloca:
Sejam Felizes!

Quarta-feira, Outubro 24, 2007

Sweet little nineteen

Eu sei que estou a deturpar a música e, apesar de não ser muito chamado para o caso, também tive uns dezasseis anos fabulosos mas, agora, impõe-se falar dos dezanove. Foram fantásticos, até ao último instante. Representaram também uma grande reviravolta, que não vou descrever porque penso ser notória em todo este blog. De certa forma tenho pena de lhes dizer adeus. É a despedida a uma década, a ser teenager. Fica para trás, como já ficaram outras coisas que foram ajudando a acumular experiencias, que agora ajudam a ultrapassar obstáculos. Mas fui feliz, muito feliz, ao longo de toda a minha adolescência. Descobri-me a mim mesma, aos outros e ao mundo e gostei dessa descoberta. Do caminho que tive que percorrer até descobrir.
Este ano em particular foi tudo tão intenso: as pessoas que conheci, os passos que dei, as coisas que senti, o apoio que nunca falhou, os sorrisos que nunca faltaram e os momentos menos bons que, se já não se transformaram, irão transformar-se em aprendizagem.
Acho que também vou gostar dos vinte. Depois destes dezanove, tem tudo para dar certo. Muito obrigado a todos os que se lembraram e um obrigado ainda mais especial para aqueles que ocupam um lugar cimeiro no meu coração. Prometo esforçar-me o mais que puder para ser tão feliz como me desejaram ao longo do dia. Graças a vocês posso dizer que tive uns “sweet little nineteen”.

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

Porto sentido

Este mês foi o regresso ao Porto. Já tinha saudades. A minha relação com esta cidade é inexplicável. Significa muito para mim, como uma segunda casa. E, diga-se de passagem, é uma casa linda. Lembro-me de em pequenina ir para os Aliados dar milho às pombinhas e uma vez até me perdi dos meus pais no S. João. Nunca percebi muito bem o porquê de tantas pessoas não gostarem da Invicta. Tudo bem, tem uma beleza muito peculiar. Não consigo dizer a um visitante o que visitar, os monumentos a ver. Acho que é porque o Porto vale como um todo, no seu conjunto. A Baixa, a Ribeira, a Foz, tudo é de um “requinte” incomparável. A nostalgia da cidade… até as pessoas estão perfeitamente enquadradas.
"Porto sentido", de Rui Veloso imortaliza na perfeição tudo aquilo que o Porto significa. O Porto tem mesmo um "ar grave e sério", uma "luz bela e sombria", um "jeito fechado de quem mói um sentimento", uma "altivez" misteriosa. Tudo no Porto é absolutamente absorvente e a sua beleza está nas coisas mais banais, que todas as cidades têm. Só que no Porto tem ainda mais encanto. As ruelas, as calçadas, os lampiões. E embora para muitas pessoas estas possam ser características negativas, é essa a magia do Porto: torná-las tão belas. É uma cidade com muito encanto, e não é só na hora da despedida. É o Porto, belo só porque sim, perfeito na sua imperfeição.
E é assim, da melhor maneira, que acaba a canção, lembrando que quem regressa ao Porto é sempre como na primeira vez. Somos absorvidos por aquela atmosfera, aquela beleza inigualável. Curioso como até o nome da música é absolutamente perfeito, reflectindo exactamente aquilo que o Porto desperta em mim. Por muito aquém da verdade que tenha ficado esta explicação, para mim, o Porto, é mesmo sentido.

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Saudade

Saudade, já muitas vezes quis publicar um texto com este nome mas, sou sempre muito ponderada nos títulos que uso. Primeiro porque não gosto de repeti-los e segundo porque quero que reflictam exactamente aquilo que quero dizer. Tive sempre medo de escrever sob este título. Não sei explicar bem porquê, talvez seja por ser algo tão português, tão único que quis ter a certeza de ser uma saudade mesmo muito forte. Agora já tenho!

Desejo todos os dias que voltem, desta vez não apenas para férias mas sim para sempre. Sei que a nossa situação é sempre mais fácil do que a vossa. Nós estamos na nossa terra, com a nossa gente, enquanto vocês estão sozinhos. Devia ter raiva a este país que, tristemente, vos obrigou a ir para longe mas, não tenho. Tenho antes raiva, uma raiva profunda, a esse que vos levou embora. Essa terra que é agora a vossa casa mas, nunca será o vosso lar, que, nem sei se lamentavelmente ou não, vos dá as oportunidades que aqui não tiveram.
Agosto, é um mês que sabe a pouco. Sempre fugaz, colmatado com as lágrimas que nunca conseguimos conter na despedida. Permanece a lembrança da convivência, ainda mais próxima, que tivemos este ano. Convivência que tornou ainda mais difícil a partida. Este foi, com toda a certeza, o Agosto que nunca esquecerei. Tantos sorrisos. Não os nossos, os vossos. Esses sim, são os que importam. Talvez por os vermos raramente.
Sejam felizes, ou tentem, pelo menos. Sei que a vossa felicidade seria aqui. Que vos sirva de consolo o facto de a vossa ausência ser sentida. Nada é o mesmo quando não estão. Há sempre um vazio. Fica a saudade. Esse sentimento tão nosso, que rompe tudo o que existe cá dentro, deixando uma mágoa, um perfume sempre presentes. Mas, que no vosso caso deixa também uma certeza: a lembrança que sempre guardamos é sinónimo de amor. Em família ninguém é esquecido e estamos sempre aqui, de braços abertos, à vossa espera.
Até à volta, que aguardo ansiosa e que, espero, seja o mais breve possível...